27 julho 2009

Perguntas ao Dr. Carlos Martins Coelho Filho

Ricardo Nader

Depois de ler o trabalho sobre APM entrei em contato com o Dr. Carlos Martins e mandei algumas perguntas. Dr. Carlos cordialmente respondeu. Segue:

"Olá Dr. Carlos, inicialmente gostaria de parabenizá-lo pelas respostas na coluna "pergunte a um expert" da revista Dentalpress edição de junho deste ano. Confesso que não uso o APM na minha clínica diária ( trato os meus pacientes com AEB, extrações e/ou microparafusos), mas a partir da leitura do seu texto me interessei pelo APM.
Surgiram algumas dúvidas e gostaria que o Sr. me respondesse."



1. De acordo com o texto, o mecanismo de ação do APM é eminentemente movimentação dentoalveolar. Isto me chamou a antenção já que alguns autores consideram como efeito principal dos aparelhos ativadores a estimulação do crescimento mandibular. Na sua maneira de ver qual o papel deste estímulo de crescimento mandibular nesta modalidade de tratamento?

Dr. Carlos: As alterações são basicamente dentoalveolares, mas isso não significa que o paciente não demonstre crescimento se estiver em idade compatível para que este ocorra. Qualquer crescimento é bemvindo. Entretanto, a eficiencia do tratamento em pacientes adultos já fora da faixa etária de crescimento exclui o crescimento como fator principal da correção. Mesmo em pacientes na puberdade, considerando-se que aproximadamente oito meses tem sido o tempo suficiente para corrigir-se "overjets" tão grandes quanto 10 ou 12 mm, fica dificil acreditar em incrementos de crescimento tão grandes mesmo em jovens que pudessem ser suficientes para isso.


2. No mecanismo de ação deste aparelho os dentes o processo dentoalveolar superior distaliza. O mesmo ocorre com o processo alveolar inferior para mesial? E se pudermos quantificar, seria na mesma magnitude?

Geralmente há uma tendência ao IMPA aumentar, o que deve ser evitado utilizando-se arcos inox .019 X .025" e dobrando-se o arco inferior rigidamente em distal dos tubos molares inferiores (preferivelmente os segundos).


3. Nos casos em que os incisivos inferiores já estão vestibularizados qual deveria ser a conduta? Extrair 2 prés para acertar a vestibularização e depois entrar com o APM?

Depende do caso, mas às vezes um simples "stripping" é suficiente. Quando eu extraio no inferior, extraio no superior tambem.

4. Pelo que pude entender do mecanismo de ação do APM, no momento inicial a mandíbula é protraída e vai retornando trazendo consigo o processo dentoalveolar superior. O Sr. já teve casos em que a musculatura do paciente não conseguiu fazer tal movimento? Houve um maior tempo de tratamento? E nestes de maior tempo houve algum que manifestou alguma desordem têmporomandibular?

Há pacientes em quem a distalização demora mais. Nunca tive problema de DTM associado ao uso do APM, a não ser melhora de problemas pre-existentes.

5. Aproveitando a pergunta anterior, nestes 20 anos de experiência, o Sr. observou alguma relação entre o APM e DTM?

Idem


6. Como que é determinado o momento em que a mandíbula retorna completamente á cavidade glenóide? O Sr. remove o aparelho e faz uma manipulação da mandíbula em cêntrica? Ou o simples fato dos dentes encaixarem cl I significa que ela já retornou?

Retiro o APM quando a mordida aberta posterior que surge na instalação se fecha. Então deixo aproximadamente um mês sem APM, em standby, monitorando para decidir se preciso complementar ou não.

4 comentários:

Andrea disse...

Ricardo, muito legal, tirou minhas dúvidas tb!

Ricardo Nader disse...

Que bom Andrea!

André disse...

Muito bom Ricardo
E o uso de dispositivos temporários de ancoragem esquelética para evitar essa mesialização inferior quase sempre indesejada e praticamente incontroláveldada a grande variante de anormalidades etc... tem algo a respeito?

Ricardo Nader disse...

Olá André, não tenho nada específicamente sobre este assunto, mas concordo com você que o uso de miniimplantes nestas situações é perfeitamente aplicável. Por outro lado, já que vai usar minimplante para ancorar o arco inferior, por que não usá-lo para distalização diretamente no arco superior? Esta última opção poderia ser melhor para o paciente.